Impressões (não conclusivas) sobre a tragédia

Aos que “é tudo exagero” e aos que “é o apocalipse”:

– A gravidade da situação na Itália e outros países na Europa assustaria qualquer pessoa ou governo. Uma simples e corriqueira gripe não mata tanta gente em tão pouco tempo. Então, foi natural a adoção pelo Brasil de medidas drásticas. Eventual desgraça pela omissão cobraria também um preço incalculável;

– A gravidade da doença não é igual no mundo todo. Agora está mais claro que afeta muito mais países com população mais idosa. Não é o caso do Brasil;

– Na América, as medidas mais drásticas foram tomadas primeiro pelos EUA. Os demais países do continente não podiam ignorar o alerta, obviamente;

– O justo ânimo atual de retomada da normalidade se baseia nos efeitos à saúde aparentemente tranquilos no Brasil;

– Talvez essa tranquilidade decorra precisamente das medidas drásticas tomadas até aqui;

– Boa parte das pessoas que há menos de uma semana apoiavam as medidas drásticas, e que denunciavam a lentidão dos governos em tomá-las, hoje vociferam contra essas mesmas medidas;

– Se houve um apagão, uma perda de racionalidade no mundo todo, está havendo também uma rápida (diante da situação) retomada do prumo. Faz parte;

– Deverá começar a publicação de muitos estudos e livros sobre histeria coletiva. E talvez a maior parte das conclusões esteja equivocada;

– Nessa história toda, parece que só há um “vencedor”: a China;

– Em breve chegará o momento de o mundo ocidental, liderado pelos EUA, cobrar veementemente a responsabilidade da China. Esse é o perfil do próprio Donald Trump, que, se agir assim, provavelmente pavimentará sua reeleição;

– Passar pano para a China parece ser covardia. Ninguém hesitou em responsabilizar a Samarco por Brumadinho ou a Belorizontina pela cerveja, mesmo sem intenção (o que, parece, não é o caso da China);

– Em geral, há grande boa vontade das autoridades brasileiras (do Executivo) em tomar as medidas mais acertadas, mesmo que contraditórias ou desengonçadas. Se fossemos nós no comando, possivelmente teríamos trilhado os mesmos caminhos;

– O brasileiro não é preguiçoso. É um povo aguerrido, lutador. (Quase) todos querem trabalhar;

– Estamos num momento chave de acomodação das variáveis. É natural decorrer algum tempo para que a racionalidade aflore;

– Coitados dos profissionais da saúde nessa tragédia toda!

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