É mentira que MT tenha recomendado “lockdown” em Alta Floresta

Circulou ontem a informação de que o governo do estado teria orientado a administração municipal de Alta Floresta a decretar o fechamento das atividades “não essenciais”, com base no decreto estadual nº 522/2020.

A informação, que incluía outros dois municípios nessa suposta lista, é falsa. Até o momento (início desta manhã) Alta Floresta não recebeu nenhuma orientação nesse sentido por parte do estado*. Possivelmente a interpretação tenha partido do repórter que escreveu a primeira notícia sobre isso.

E mesmo que o noticiado fosse verdade, sempre é bom lembrar que eventual posicionamento do governo estadual nesse caso não teria caráter obrigatório. Cabe ao município a palavra final sobre as medidas a serem tomadas.

Deve-se prestar maior atenção também no significado do número de casos divulgados nos boletins municipais. Especificamente, na diferença entre o número total de casos já confirmados e o número de casos ainda ativos.

No boletim divulgado ontem (16/06), Alta Floresta apresenta 110 casos confirmados até aqui, dos quais 55 já foram curados e 3 vieram óbito. Portanto, o número atual de casos ativos é 52 – e não 110.

Por fim, chamamos a atenção ainda para o fato de que grande parte dos casos confirmados tem origem específica, a cadeia pública de Alta Floresta, não havendo correlação epidemiológica, pelo que foi divulgado publicamente até agora, entre as confirmações de caso e o funcionamento de estabelecimentos comerciais, feiras, organizações religiosas, academias.

*Atualização em 18/06/2020, às 13h30m: quando o texto foi escrito e publicado a classificação dos municípios ainda não tinha sido divulgada publicamente pela Secretaria de Saúde do Estado, que apenas passou a fazê-lo no Boletim divulgado ontem (17/06) no início da noite – veja aqui. Nesse Boletim, Alta Floresta foi classificada com risco “muito alto”. De toda forma, é importante notar que nesse mesmo Boletim consta que na cidade há apenas 49 casos ativos/em monitoramento, lembrando que a maioria deles diz respeito a detentos da cadeia pública.

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