O PCC comprou a imprensa brasileira?

Fonte da imagem: theweek.com (Illustrated/chengyuzheng/iStock)

A sigla PCC pode ser usada para designar tanto o Partido Comunista Chinês (o único daquele país) como o Primeiro Comando da Capital (facção criminosa). Há, ainda, outras semelhanças: ambos são responsáveis por muitas mortes de inocentes todos os anos, ambos despertam simpatia em grande parte da imprensa brasileira. São muitas semelhanças, por isso esclareço que neste artigo o PCC de que trato é o Chinês.

Após a pandemia do Sars-Cov-2 ter se espalhado por todo o mundo, começou-se a debater qual seria a responsabilidade do governo chinês. Não é ponto central deste artigo, mas já se sabe que a pandemia teve início na China, cujo governo, no mínimo, escondeu o quanto pôde informações que, se conhecidas antes, ajudariam em muito no combate à doença. Com tantos prejuízos sanitários, sociais e econômicos disseminados, é normal que pessoas de diversos países questionem a atitude do governo chinês.

1 – O Partido Comunista Chinês

Quem é o governo chinês? A China é um país de partido único, o Partido Comunista Chinês. Lá não há eleições livres, os governantes são escolhidos dentro dos quadros do partidão por seus próprios membros, sem a participação efetiva da população chinesa. O PCC conta hoje com 90 milhões de integrantes.

Para se ter uma noção dessa dimensão, se o PCC fosse um país seria o 15º mais populoso do mundo, teria população maior do que qualquer país europeu. Seguindo a estrutura tradicional comunista, o presidente chinês é também o Secretário-Geral do partido (da mesma forma como era na URSS, por exemplo).

Desde novembro de 2012, o homem que ocupa este posto é Xi Jinping. Poderia gastar algumas linhas fazendo uma descrição sobre Xi, no entanto, é mais produtivo indicar o documentário “O Mundo segundo Xi Jinping”, de Romain Franklin e Louise Muller, que pode ser visto aqui:

2 – O China Media Group (CMG) e a imprensa na China

Como em todo regime totalitário, o governo chinês detém o controle sobre a imprensa local. Em 2018 os grupos de rádio e televisão estatal foram unificados sob um único teto, o China Media Group. Todo o conteúdo produzido e publicado dentro da China precisa de aprovação do Partido Comunista Chinês.

Para evitar a propagação de notícias contrárias ao governo, redes sociais como Twitter e Facebook (e seus subsidiários Instagram e WhatsApp) são proibidas por lá. Os mecanismos de pesquisa censuram os resultados de informações contrárias ao governo, ao partido ou a qualquer de seus membros.

3 – O CMG e suas ações no exterior

No entanto, o objetivo do governo chinês não é apenas fazer propaganda interna para controlar a população. Também é parte fundamental deste plano a propaganda positiva do regime chinês, principalmente no Ocidente, mais ainda nos países que ainda apresentam um mínimo de resistência.

Seguindo um método criado pelo KGB, e cujos resultados foram comprovados, o sistema de propaganda atua em diversas áreas: propagandas oficiais, notícias enviesadas e programas culturais e de entretenimento.

A forma mais simples e direta de se fazer isso é comprar cotas de publicidade em veículos de imprensa estrangeiros. Pagando-se quantias vultosas a título de patrocínio publicitário, o governo chinês consegue influenciar vários jornais, revistas e emissoras de TV ao redor do mundo a fim de propagar informações favoráveis ou para deixar de propagar informações desfavoráveis.

Rodrigo da Silva fez publicou em seu Twitter uma lista de empresas que aceitaram dinheiro chinês nos últimos anos:

Nesta publicação, Rodrigo faz um alerta de que a Folha de São Paulo está recebendo verbas chinesas para produzir informes publicitários extensos em defesa da China no caso do Sars-Cov-2. Foi esta publicação que motivou este artigo, embora, ao contrário de Rodrigo, a atitude da Folha não me surpreenda em nada.

Ainda em 2019, o Grupo Bandeirantes firmou uma parceria com o CMG. Segundo comunicado oficial, este acordo inclui apenas “parcerias para produções conjuntas e compartilhamento de conteúdo entre os países”. Mas, como diz o gigante Thomas Sowell, “em uma parceria entre uma formiga e um elefante, quem você acha que dita as regras?”.

Oficialmente, portanto, temos dois grandes grupos de comunicação brasileiros recebendo dinheiro do Partido Comunista Chinês. Além disso, ao que tudo indica, também o grupo Globo assinou um protocolo de intenções para fechar um acordo similar ao feito pela Bandeirantes.

Se essas parcerias já causam preocupação, o pior fica para o fim: parece que o próprio governo brasileiro vê esse movimento com bons olhos. Tanto é assim que a emissora estatal brasileira EBC (Empresa Brasil de Comunicação) fechou o mesmo tipo de acordo com o CMG.

Para não estender por demais este texto deixarei para abordar em artigo(s) futuro(s) os temas: invasão cultural e o problema do 5G.

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