Lockdown, é permitido debater?

Imagem: nordvpn.com

O lockdown (fechamento total do comércio e restrição severa de locomoção) é uma medida defendida por alguns como a melhor (ou única) solução no combate à pandemia do Sars-Cov-2. Pelo noticiário parece que é a pedra de toque e única saída possível. Mas isso corresponde à realidade?

Não se pretende aqui defender ou atacar a medida em si, apenas demonstrar que há sim muitos médicos e pesquisadores sérios que questionam a eficácia da medida, e que não apoiá-la não significa necessariamente ser louco ou irresponsável.

Há algum tempo a grande imprensa noticia que há um “consenso científico” quanto à implementação do lockdown. A expressão é utilizada frequentemente com a intenção de se dar ares de cientificidade a algo que não a tem. A definição do termo “consenso” é “concordância de opiniões”, já “científico” é aquilo “que se baseia em métodos”. Portanto, algo que tem comprovação científica não depende de um conjunto de opiniões para ser verdade, quando se chega a um consenso é justamente porque não há prova da veracidade quanto àquilo com que se concordou.

Consenso científico, portanto, é uma expressão sem sentido algum, pois uma única prova em contrário bastaria para derrubar o consenso. Agora, isso no caso de realmente haver um consenso sobre determinada questão. Olhando-se atentamente é fácil verificar que esse não é o caso com relação à implementação do lockdown.

O médico epidemologista sueco Johan Giesecke é um dos mais célebres opositores da medida, que segundo ele nunca deveria ter sido implementada. Foi ele quem “bancou” a estratégia sueca de fazer restrições muito brandas à circulação de pessoas e ao funcionamento de estabelecimentos comerciais. Recentemente deu uma entrevista ao jornal português Público (acesse aqui), da qual destaco a seguinte passagem:

P: Por que é que colegas seus, alguns mesmo do Instituto Karolinska, apareceram a criticar a estratégia da Agência de Saúde Pública num jornal nacional?

R: Isto é uma democracia e as pessoas estão autorizadas a ter outra opinião. Tem havido muita discussão na Suécia sobre a estratégia, e é assim que dever ser. 

No mesmo sentido, um estudo (ainda em fase de revisão) de Thomas A. J. Muenier aponta que não há evidências de que o lockdown total na Europa Ocidental tenha tido impacto sobre a pandemia. O resultado preliminar desta pesquisa pode ser acessado aqui.

Desde a última quarta-feira (6) tem circulado um vídeo do governador de Nova York, Andrew Cuomo, que disse, em entrevista coletiva, estar chocado pois descobriu-se que 66% das pessoas contaminadas com o vírus estavam em casa (respeitando o lockdown) e não trabalhando e nem usando serviço de transporte público. Além disso, 18% dos pacientes estavam em asilos ou casas de repouso. Ou seja, 84% dos pacientes foram contaminados mesmo com a implementação de severas regras de circulação de pessoas. O fato foi também destaque na imprensa americana e britânica

Já o patologista britânico Dr. John Lee escreveu em artigo para revista The Spectator apontando que além do lockdown não ter sua eficácia comprovada, ele ainda causa efeitos colaterais que não foram considerados. Em outro artigo para a mesma publicação ele alerta para a falta de um debate sério e honesto sobre a questão. Por fim, recentemente defendeu em 10 argumentos por que o Reino Unido deve abandonar o lockdown.

É preciso ficar claro, portanto, que há discordância entre médicos e pesquisadores de outras áreas com relação à melhor forma de combate ao problema, inclusive com relação ao lockdown. Há uma clara tentativa, no Brasil, de se sufocar este debate e rotular aqueles que questionam a medida de “negacionista”, “desumano” e “insensível” (há termos piores que ficam pra outro momento), esta rotulação visa apenas atingir a honra para que não se debata o problema em questão. Não é possível que uma sociedade (supostamente) democrática aceite tal situação.

Questionar as medidas implementadas não é  negar que o problema existe, ou que ele não seja grave, ou ainda desconsiderar o drama daqueles que perderam pessoas queridas em decorrência da doença. Mas sim tentar resgatar um pouco de racionalidade e serenidade em busca da solução deste problema.

Nenhum pensamento

  1. Bem isso! Só se embriaga, quem exagera na dose. Portanto o importante é cuidar-se para manter a liberdade. Se privar, e não aprisionar!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.