Educação, Trabalho e Religião – Parte 1

Bandeira de Alta Floresta – MT.

Por Fernando Passos e Thiago Reis de Oliveira

*Texto originalmente publicado em 29/05/2017.

Antes de iniciar, é pertinente esclarecer: Educação, Trabalho e Religião foi o tripé em que a colonizadora se baseou para desenvolver e executar o projeto de Alta Floresta. Portanto, a escolha dos assuntos não foi arbitrária.

Este é o primeiro de uma série de três artigos a respeito de nossa cidade, nos quais serão abordados temas relacionados aos três eixos norteadores da colonização: educação (aqui tratada como cultura), trabalho e religião.  Neste mês em que Alta Floresta completa 41 anos [hoje completa 44] e na iminência de mais uma Expoalta/Tecnoalta,  o debate sobre os rumos do município é natural e mais intenso, daí a pertinência do tema.

Mais do que pela oportunidade, porém, a ideia dos textos foi alavancada por uma necessidade. É comum lermos e conversarmos sobre os aspectos econômicos da cidade, seja em relação aos seus ciclos ou às perspectivas de desenvolvimento.

Ainda que não se perceba, o viés econômico-materialista-marxista de análise é predominante, como se passado e  futuro fossem determinados pelo caminho percorrido pelo dinheiro…

 Quando se adota essa forma de análise abandona-se o aspecto mais importante:  o cultural. E essa é a necessidade a que nos referimos acima. Os três artigos tratarão de temas distintos, mas todos com o mesmo enfoque cultural, objeto central deste primeiro texto.

Como todos os moradores, desejamos que Alta Floresta prospere economicamente. Porém é um equívoco pensar que o enriquecimento econômico resultará no enriquecimento cultural de nossa população. A relação de causa-efeito é exatamente inversa.

O aprimoramento cultural é condição para o avanço econômico sólido, e tal é nossa preocupação. Parafraseando o maior filósofo brasileiro vivo, Olavo de Carvalho, não faz qualquer sentido pretendermos primeiro ficar ricos para depois cuidarmos de ser inteligentes.

Mas, o que queremos dizer com cultura? Certamente não tem a ver com diversão pública (espetáculos), entretenimento, showbusiness ou com atrações “artísticas” político-partidárias, bancadas por dinheiro público (ANCINE, Lei Rouanet, etc). Também não  há relação com regras de etiqueta ou com “chiqueza”. A propósito, a essência da cultura nacional foi formada por pobretões, como Machado de Assis, Lima Barreto e vários outros.

Cultura, como o próprio nome sugere, é tudo aquilo digno de culto, de atenção. Algo que merece consideração e cuidado em preservar porque nos eleva. Reflete um conhecimento perene na sociedade, na forma de tradição. O resultado de tudo o que foi construído de melhor por nossos antepassados, e que desejamos transmitir às gerações futuras.

Envolve sobretudo a consolidação de valores morais, religiosos, estéticos (arquitetônicos, musicais, gastronômicos, urbanísticos, literários, etc) que possuímos em comum, cujo respeito é necessário e natural  para que nos identifiquemos enquanto iguais e nos permita usufruir de boa e harmoniosa convivência, cada qual respeitando as outras famílias, observando os próprios deveres, repelindo o que nos prejudica e nos ajudando a suportar os momentos difíceis.

Ignorar a importância disso significa nos condenarmos à eterna instabilidade. Sujeitarmo-nos ao ciclo do momento, deixando-nos levar conforme a direção momentânea da onda. A desatenção aos aspectos culturais tem ocasionado as inconstâncias de Alta Floresta, onde o otimismo e o pessimismo se substituem constantemente. Talvez seja o principal motivo de sua indefinição econômica.

A ausência de um propósito amplo (não só no aspecto material, mas também educacional e espiritual) e de um senso de missão comuns que nos façam perseverar independentemente das circunstâncias só pode ser suprida pela cultura. Do contrário, repetimos, seremos sempre reféns do excesso de variáveis a que estamos sujeitos a cada dia, numa velocidade assustadora: os acontecimentos políticos e econômicos recentes no país que o digam.

É preciso voltar a atenção ao que é perene, despender energia no resgate de nossa tradição e, principalmente, na formação dela. Esse trabalho é árduo, depende antes de esforço individual para conhecer não apenas a história e origem de nossa cidade, mas também do estado e do país. Desnecessário ressaltar, ainda, que intrigas pessoais e político-partidárias devem ser completamente abandonadas.

Nos momentos de maior tensão é que se nota a importância de uma base cultural sólida e profunda, assim como um grande edifício necessita de estruturas robustas para resistir às intempéries. Alta Floresta merece e demanda uma base cultural imune aos movimentos cíclicos de euforia e depressão. 

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